Intercâmbio de agricultoras experimentadoras: mulheres de fibra do Cariri e dos Inhamuns

Mulheres do Cariri e dos sertões dos Inhamuns se juntaram em Tauá no Intercâmbio de agricultoras experimentadoras para compartilhar ideias, visões, desafios e conquistas. Um encontro de vidas entre mulheres que vivem no campo e pelo campo e também entre as organizações que fazem parte do Projeto Paulo Freire. 

As agricultoras familiares sempre desempenharam um papel importante no campo só que elas não tiveram o devido e pleno reconhecimento do trabalho. Se analisamos isso desde a perspectiva do Brasil onde o progresso nos direitos das mulheres tem sido lento, o aporte dos projetos das Ongs pode fazer a diferença sobretudo para a questão do empoderamento e da visibilidade.

A Cáritas diocesana de Crateús junto ao Esplar, a ong Cactus e Flor do Piqui estão tentando, no marco do projeto Paulo Freire que tem o apoio financeiro do Governo do Estado do Ceará e do Fida, estimular a autonomia dessas mulheres rurais através do conhecimento, das formações e também da inspiração que os intercâmbios podem trazer.

“A mulher sempre teve espaço na agricultura mas não tinha reconhecimento. Com esses eventos a cada vez mais eu percebo que a situação está mudando. É interessante ver que o papel da mulher è muito forte e que ela não tem mais medo de mostrar o seu trabalho a serviço da comunidade. Hoje em Tauá estou vendo as mulheres do projeto Paulo Freire e percebo que estamos todas no mesmo caminho de libertação e empoderamento onde não tem interferência do homem” comentou Raquel Vertana do sítio Lírio, Santana do Cariri, acompanhada pela ong Cactus.

Durante o intercâmbio as mulheres tiveram a oportunidade de conhecer o canteiro da dona Iraides que mostrou com  muito orgulho os frutos do trabalho dela, alfaces, cenouras, cebolinha, mamão, produtos de um semiárido diferente, que brota vida e que existe apesar da seca.

“Estou aprendendo muitas coisas novas, aqui ela deixa o mato crescer ao redor das plantações e nós no Cariri estamos costumadas a tirar todo. Talvez vamos mudar esse hábito” falou Eliana Teles da Silva do Sítio Guritiba em Santana do Cariri, acompanhada pela ong Flor do Piqui.

Alem da experiencia no sítio Junco com a dona Iraides de Lima, foi o momento de se deliciar com os doces de leite e de banana da dona Maria. Mulher solteira que cresceu dez filhos na roça e que hoje, com a ajuda de uma das filhas, produz no mínimo cinquenta barras de doces por semana, fornecendo vários comércios, além de participar no programa PAA(Programa de Aquisição de Alimentos).

“Eu não tenho nenhuma máquina a minha máquina, a única que conheço é vontade, a coragem e a saúde, nunca fui atrás de ninguém, um dia comprei os produtos fui experimentado e quando tomei gosto comecei trabalhar. Sem amor para o que faço seria impossível” salientou Maria Alves de Oliveira Alencar, da localidade de Lustal I, Tauá.

Duas histórias diferentes de mulheres do campo que testemunham a diversidade, a riqueza e a criatividade que as agricultoras têm, que sempre foram o centro da economia familiar do semiárido que silenciosamente escondeu essas grandes guerreiras que hoje querem reconhecimento e  direitos. 

Para a Dona Maria Moreira, chamada Cruzinha, da comunidade Riacho de Quiterianópolis acompanhada pela Cáritas de Crateús, essas experiências demonstraram que com a vontade se pode fazer tudo.

“O brilho que essas mulheres tinham nos olhos falando do trabalho delas, o amor por aquilo que fazem, as histórias bonitas que nos contaram, tudo isso vamos levar para casa e vai nos inspirar” concluiu a agricultora. 

Com o acompanhamento da mediadora e experta de gênero, raça e etnia, Francisca Sena da Secretaria de Desenvolvimento Agrário(SDA) do Governo do Estado do Ceará, as agricultoras concluíram o dia avaliando de forma muito positiva o aporte das oficinas de segurança alimentar do dia anterior e o valor das visitas as duas mulheres que foram para todas uma fonte incrível de inspiração na ótica do empoderamento feminino e do bem viver no semiárido.

Fotos e texto: Lorenza Strano, assessora de comunicação

Semiárido Show 2019 recebe Projeto Paulo Freire

O Semiárido show 2019 que aconteceu em Petrolina do 19 ao 22 de Novembro, recebeu a delegação cearense do Projeto Paulo Freire que contou com a participação de representações de entidades de assessoria técnica, agricultoras familiares, UGP – Unidade de Gerenciamento do Projeto Paulo Freire, e outros parceiros.
A Cáritas Diocesana de Crateús, foi representada pelas agricultoras Antônia Alexsania, mais com conhecida como Sônia, da comunidade de Barreiros/Tauá, que também representou o grupo de mulheres de Barreiros “Maria Cândida”, e Luzia Lima, da comunidade de Inácio José/ Quiterianópolis. Estava presente também Daniela Cavalcante, técnica pela Cáritas.
A missão do projeto Paulo Freire neste evento foi a promoção da troca de conhecimento, geração e construção de novos olhares para o semiárido.
A agricultora Sônia levou para comercializar no espaço ” Vila da economia solidária” um pouco do sabor da luta e empoderamento do grupo de mulheres. Com guloseimas traduzidas em doces, sequilhos, cocadas de jerimum e biscoitos, foi possível, além da venda, divulgar o trabalho dessas mulheres e de muitas outras que se reconhecem nessa experiência.
Foi distribuída a revista o Cirandeiro, produção da Cáritas Diocesana de Crateús, que conta um pouco da história do grupo de mulheres e outras 4 experiências no território dos Inhamuns, partilhadas a partir do trabalho do projeto Paulo Freire e da Cáritas.

” Estou me sentindo grata pela oportunidade da valorização do nosso trabalho, de divulgar os produtos do grupo de mulheres de barreiros e a força da mulher. Tenho uma boa expectativa nas vendas e nos conhecimentos que estou adquirindo” relata Sônia.

Luzia conta que com o convite se sentiu privilegiada. ” Quando me chamaram para participar desse evento me senti feliz e privilegiada em poder representar minha comunidade e o grupo de mulheres – Mulheres de Diferentes Artes. Sou beneficiária do projeto e o evento está me oportunizando adquirir mais conhecimentos. Já participei de oficinas nos espaços no evento e que com certeza levarei o que aprendi para a construção de saberes junto com as famílias da comunidade de Inácio José”, declarou.

Para Daniela Cavalcante, ações como essa, de promoção de atividades que valorizem a participação da mulher rural, da comercialização e da construção de conhecimentos, oportuniza um divisor de águas nos trabalhos de assessoria técnica, onde o que se discute em comunidade é evidenciado com a participação dessas mulheres nesses espaços, e que vem sendo uma realidade constante.

O semiarido show é um grande evento de inovação tecnológica voltada para agropecuária no Nordeste brasileiro. A feira leva a milhares de produtores, técnicos e empreendedores um amplo leque de alternativas viáveis para melhorar a produtividade e a sustentabilidade da atividade na região.

O projeto Paulo Freire tem financiamento do Governo do Estado do Ceará e do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA). A iniciativa tem por objetivo contribuir para a redução da pobreza rural em 31 municípios cearenses por meio do desenvolvimento do capital humano e social e do desenvolvimento produtivo sustentável pautado na geração de renda, no âmbito agrícola e não agrícola, com foco principal em jovens e mulheres. O Projeto atende os municípios de Arneiroz, Aiuaba, Parambu, Tauá e Quiterianópolis, no território dos Inhamuns.

Fotos e texto: Daniela Cavalcante, técnica do Projeto Paulo Freire pela Cáritas de Crateús

Comunidades avaliam a atuação do Projeto Paulo Freire – 1ª Etapa


Uns ciclos se fecham, outros se abrem e como isso vários ensinamentos nos acompanham em nossas vidas. São novas perspectivas, novos caminhos, algumas conquistas, alguns fracassos, progressos, retrocessos. Todo ciclo que se fecha deixa um aprendizado. Todo ciclo que começa traz uma carga e com ela a oportunidade de novas possibilidades.

Neste contexto a Cáritas Diocesana de Crateús, através do Projeto Paulo Freire – 1ª Etapa, realizou no período de 25 de outubro a 08 de novembro as Oficinas de avaliação do Projeto nas 10 comunidades atendidas no território dos Inhamuns. O Projeto se encaminha para fechar o ciclo de três anos de atenção e compromisso com as comunidades que passaram estes anos construindo e transformando realidades.

Foram dias de muitas falas, sorrisos, construções, desafios e conquistas expressadas nas faladas e escritas das famílias e técnicos que puderam participar das avaliações das ações do ano de 2018.

Os encontros foram regados de muita emoção, interação e seriedade dos participantes. As famílias, mais uma vez, puderam avaliar a instituição que presta assessoria técnica na comunidade, os técnicos que fazem parte da equipe, as ações do projeto, e se auto avaliar enquanto participante deste processo coletivo e comunitário.

Para o agricultor da comunidade de Novo Horizonte, em Arneiroz, José da Mota, ainda faltam coisas por melhorar: “Temos que melhorar ainda, mas melhorou nossa organização”. Para o agricultor, Miguel de Freitas, da comunidade Quilombola de São Gonçalo, em Parambu, “o projeto trouxe muito conhecimento, além dos apriscos que eu não tinha e hoje tenho”.

A coordenadora do Projeto Paulo Freire – 1ªEtapa, Daniela Cavalcante, trabalhar com as comunidades é crescer profissionalmente e pessoalmente. “Fazer parte deste contexto é um privilégio, somos chamados a missão de transformar a vidas dessas famílias com a geração de renda, possibilitando autonomia, e isso tem se visto e ouvido por onde estamos passando e fazendo com eles a diferença”.

O técnico de campo, Romerio Cavalcante, que acompanha duas comunidades em Quiterianópolis, reforça que “somos não apenas técnicos neste projeto, nos tornamos família, e fomos ao encontro deste grande desafio com nossos receios, mas com confiança e trabalho, digo sempre que vale muito a pena fazer parte deste processo de empoderamento das comunidades rurais”.

As comunidades e/ou municípios queparticiparam das oficinas de avaliação foram: Salgado, em Aiuaba; Aldeia Fidelis e Gavião de Quiterianópolis; Quilombolas de São Gonçalo e Serra dos Paulos, em Parambu; Milagres e Riacho verde, Queimadas e Sitio Lagoa em Tauá; Boqueirão e Novo Horizonte em Arneiroz.

 

Projeto Paulo Freire promove a preparação do Festival de Juventudes Territoriais

O papel da juventude no campo resulta fundamental para o desenvolvimento sustentável e para o diálogo entre diferentes culturas e realidades presentes nas comunidades rurais. Promover este papel, fortalecer as capacidades dos jovens é o objetivo dos Festivais de Juventudes Territoriais. O evento de preparação para os festivais conta com a participação de jovens dos quatro territórios do estado acompanhados pelo Projeto Paulo Freire, equipes de ATCs (Assessoria Técnica Contínua) do Projeto, educadores populares, SDA – Secretaria de Desenvolvimento Agrário, FETRAECE, Sindicatos Rurais, ASSOCENE, dentre outros parceiros. A ação tem como objetivo promover a integração, construir e dialogar sobre a conjuntura das realidades das juventudes rurais dos quatro territórios acompanhados pelo Projeto Paulo Freire.

 

A Caritas Diocesana de Crateús, enquanto ATC no território dos Inhamuns, na presença de Daniela Cavalcante Coordenadora pela Caritas de um dos lotes do projeto Paulo Freire e Soraya Cindy, técnica de campo, estão participando da oficina preparatória junto às outras organizações. Nos primeiros dias de julho se encontraram na EFA da Ibiapaba em Tianguá para discutir os detalhes junto às juventudes. Para Daniela Cavalcante “Resistência foi a palavra de ordem, pois foi a base das discussões do evento. Mas não a resistência por se só, mas o ato de resistir e lutar da juventude do campo por seus direitos e anseios. E como isso é gratificante em poder contribuir neste processo”.

Durante esta oficina preparatória, jovens das comunidades da Aldeia Fidélis em Quiterianópolis e Oiticica em Tauá estiveram presentes nos momentos para a garantia dos processos de discussão e preparação do festival territorial dos Inhamuns que acontecerá nos dias 20, 21 e 22 de julho em Tauá. “Esta oficina foi muito importante pois foi possível descobrir mais, aprender mais de forma divertida e trabalhar a agroecologia”, comentou a Índia Tabajara da Aldeia Fidélis Livania Rodrigues.

Por Daniela Cavalcante e Lorenza Strano

Fotos: Daniela Cavalcante

 

O Projeto Paulo Freire realiza encontro de DRP e PI e promove resgate histórico das comunidades

   

Conhecer a realidade das famílias da comunidade, como vivem e produzem, fazer um resgate histórico. Este foi o objetivo do DRP – Diagnóstico Rural Participativo realizado na comunidade de Pedra Vermelha, no município de Arneiroz, nessa terça e quarta-feira, 20 e 21 de fevereiro. O diagnostico foi feito com as comunidades de Saco da Serra , Poço da Lama, Pedra Vermelha, Lagoa dos Rodrigues, Estreito, Jordão , Serra Verde, Banana e São Luís.  O encontro é uma das etapas do Projeto de Assessoria Técnica da Cáritas Diocesana de Crateús – Projeto Paulo Freire que tem financiamento do Governo do Estado do Ceará e do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA).

No primeiro dia de encontro às famílias discutiram sobre o dia a dia dos moradores e moradoras, fizeram uma linha de tempo que contemplava a história das comunidades. Ainda no encontro, agentes Cáritas puderam conhecer mais sobre as comunidades, o que conhecem das políticas públicas e qual a expectativa com o projeto Paulo Freire.  Já no segundo dia do DRP as famílias e os agentes Cáritas fizeram uma caminhada pela comunidade para conhecer como vivem as famílias, a infraestrutura, o açude, o meio ambiente, os quintais produtivos.

Desde o inicio do mês de fevereiro as comunidades de Arneiroz que são acompanhadas pelo Projeto Paulo Freire estão recebendo agentes Cáritas para a realização do Diagnóstico Rural Participativo.

Além disso, algumas comunidades já estão na etapa do Plano de Investimento (PI), no qual começam a construir o plano de investimento produtivo na comunidade. Como é o caso das comunidades  de Cachoeira Grande, Sanharol, Barra do Urubu, Remanescente, Bálsamo,  Irapuá, Delgado, Barra do Trapiá que se reuniram nessa terça-feira, 20 de fevereiro para a oficina de Plano de Investimento. As famílias se reuniram na comunidade Barra do Trapiá em Arneiroz. 

                                           

 

Com informações de Mirna Sousa

Fotos: Agentes Cáritas