FIOCRUZ PESQUISA CONDIÇÃO DE VIDA E SAÚDE DE PESCADORAS E PESCADORES ARTESANAIS

A Fiocruz Ceará iniciou nesta segunda feira, 21, mais uma etapa da pesquisa de produção de indicadores das condições de vida e saúde de pescadoras/es artesanais e agricultoras/es familiares do município de Novo Oriente. O diagnóstico gerará informações sobre os problemas de saúde que estão relacionados ao trabalho e ao ambiente, e também vão subsidiar o planejamento para incidência em políticas públicas de saúde para essas populações.

Participantes da pesquisa realizarão exames físicos para mapear possíveis adoecimentos e quais são as necessidades de saúde e cuidados que vão desde atendimentos, medicamentos a programas específicos. A ação está sendo apoiada pela Colônia Z – 58 de Novo Oriente, o Conselho Pastoral dos Pescadores e a Caritas Diocesana de Crateús, através do projeto Pescadoras e Pescadores Artesanais Construindo Bem Viver, que é co-financiado pela União Europeia e também tem apoio da CISV.

As organizações estão colaborando com o processo de articulação de participantes, para que essa etapa da pesquisa aconteça de forma segura e com os cuidados necessários que esse período de pandemia exige.

JOVENS ACOMPANHADOS PELA CÁRITAS PARTICIPAM DO PROJETO REPÓRTER DIGITAL

Iana Gonçalves

Três jovens da região dos Inhamuns, acompanhado e acompanhadas pela Cáritas Diocesana de Crateús, através do Projeto Paulo Freire, que é financiado pela SDA e pelo FIDA, estão participando do Projeto “Repórter Digital”, ação promovida pelo Instituto Ubíqua. Iana Gonçalves Mendes, da comunidade Pau Preto, Parambu, Elidiene Pereira, da comunidade Açudinho, em Tauá e Rubens Moreira Martins da comunidade Riacho, Quiterianópolis, que fazem parte da Rede de Jovem Comunicadoras/es Populares, já estão participando do curso, que tem como objetivo capacitar 20 jovens do Ceará para produzirem conteúdo informativo e de entretenimento (notas, matérias, vídeos, etc.) através do aplicativo que recebe o mesmo nome do projeto.

Elidiene Pereira

“Esse projeto também está sendo realizado com jovens da Bahia, através do Projeto Pró-Semiárido, e o “Viva o Semiárido”, no Piauí, ambos financiados pelo FIDA, na perspectiva de desenvolver habilidades através de uma capacitação em linguagens temáticas e temas que envolvem a comunicação e a convivência com o Semiárido”, explica Rones Maciel, assessor de juventudes e comunicação no Projeto Paulo Freire /SDA. Segundo ele, a primeira etapa de formação terá uma duração média de três meses, período em que serão desenvolvidas linguagens de áudio, audiovisual, produção de conteúdo para a internet, etc., via tele-aulas. As e os jovens têm acesso a uma plataforma digital que lhes permite assistir às aulas aos fins de semana e desenvolver atividades durante a semana.

Para Iana Gonçalves, um dos desafios é a conexão, pois o sinal nas comunidades camponesas já é melhor do que outrora, mas as vezes alguns jovens não conseguem participar das aulas online, interagir com os colegas nesse momento, mas ninguém fica sem conteúdo, pois existe um esforço tanto das e dos jovens como da coordenação do curso para superar os desafios que apareçam. “A experiência tem sido muito boa, porque além de jovens do Ceará, também vamos interagir com pessoas de outros estados, e vamos poder conhecer outras realidades”, comemora Elidiene Pereira. Segundo ela, essa é uma área de conhecimento desejada por muitas pessoas, e poder ter acesso a esse conteúdo de qualidade é uma oportunidade que ela pretende aproveitar da melhor forma possível.

AS JOVENS VOZES DAS COMUNIDADES

As e os participantes devem desenvolver as atividades como “desafios” a serem cumpridos para interferir na realidade da comunidade onde moram. Elidiene, por exemplo, no primeiro “desafio” identificou a falta de comunicação das atividades desenvolvidas pelo grupo Força Jovem, do qual ela faz parte. Então ela está partilhando o conhecimento que recebe e junto com as/os amigas/os construiu uma estratégia de comunicação. “Queremos por meio das redes sociais mostrar, não só para a nossa comunidade, mas também para as comunidades vizinhas, cada ação realizada pelo o grupo, cada oportunidade dada aos jovens”, resume. Segundo ela, a divulgação pode ajudar a conquistar mais apoio e quem sabe mais jovens.

CADERNETA AGROECOLÓGICA REVOLUCIONA A VIDA DE MULHERES CAMPONESAS

Maria do Rosário e sua caderneta agroecológica

Por Eraldo Paulino, Nágila Feitosa e Sandro Teixeira

O dia já vem raiando, e a professora e agricultora Nilda Soares, 50 anos, comunidade Riacho, Quiterianópolis, levanta. Logo passa o café, mas é no quintal que o dia de fato amanhece para ela, seja aguando as plantas, seja colhendo hortaliças fresquinhas com gotas do orvalho, que além de saudáveis contribuírem para a segurança alimentar e nutricional da família, o excedente ainda será comercializado. Toda essa rotina que sempre lhe deu imenso prazer só passou a ser devidamente valorizada por ela própria após ter contato com a Caderneta Agroecológica, uma ferramenta incentivada pelo Projeto Paulo Freire, realizado na região dos Inhamuns pela Cáritas Diocesana de Crateús (CDC), com financiamento da SDA e do FIDA, que possibilita às mulheres do campo registrar tudo que produzem, e a renda direta e indireta gerada, proporcionando, assim, que elas passem a dar o devido valor ao fundamental trabalho que desenvolvem.

“[Após utilizar a caderneta agroecológica] a gente passou a valorizar o próprio trabalho, enquanto a gente achava que não fazia nada, porque não tinha parado para anotar tudo e avaliar”, continua Nilda. Com ela, são 18 mulheres acompanhadas pela CDC utilizam a caderneta agroecológica, e após um ano e meio do primeiro contato com a ferramenta, todas dão testemunho de como a invisibilidade e a desvalorização do trabalho feminino, imposto pelo patriarcado, pode ser superado a partir do momento que há a devida reflexão sobre a importância das atividades realizadas pelas camponesas. “Hoje vejo o tanto que eu produzo, porque quando eu termino de preencher a ficha do mês eu vejo o tanto que eu consumi, troquei ou vendi. Antes só dava valor às coisas compradas de fora, sendo que a maioria das coisas que consumimos em casa eu tiro do meu quintal”, partilha a agricultora Vilma Alves, de 58 anos, da comunidade Pau Preto, Parambu.

Seguindo a lógica de todo movimento que busca empoderar as mulheres e conquistar direitos para elas, a Caderneta Agroecológica não faz bem só a elas, mas a toda família, especialmente aos filhos e companheiros. “Se ele [o marido, agricultor Nonato Reis, de 34 anos] colhe alguma coisa, ele já vem e fala pra colocar na caderneta. É tipo assim, um time entre eu e ele, porque se ele colhe quando eu não estou em casa, ele me avisa, se ele vende alguma cosias ele me avisa, nós temos essa parceria de nós dois fazermos a anotação juntos”, partilha a agricultora Maria do Rosário, de 22 anos, da comunidade Santana, município de Tauá. Dessa forma, não só o companheiro passa a reconhecer ainda mais a importância da companheira, como também ele próprio passa a se valorizar também, porque a luta das mulheres é para um processo de mudança com, e não sobre os homens.

Maria do Rosário e o companheiro Nonato

MULHERES COMO GUARDIÃS DA AGRICULTURA FAMILIAR

A agricultura familiar e o espaço feminino no campo vêm se modificando a cada dia, de acordo com as multitarefas executadas pelas mulheres, que em muitas ocasiões possuem seu trabalho invisibilizado. Essas se desdobram entre as atividades de mãe, esposa, dona de casa e agricultoras, rompendo diferentes barreiras com suas funções dentro da rotina doméstica, cuidados com os filhos, etc. É possível identificar nessas mulheres a marca do sol na pele, olhos atentos e sorrisos acolhedores que nem sempre revelam os desafios enfrentados. Dentro das atividades executadas pelas mulheres do campo, é visível uma maior segurança na sua execução, como também na sensibilidade da preparação para a produção, consumo ou comercialização dos seus produtos, visando todo o processo desde o seu investimento inicial administrativo como dos seus lucros.                    

Através do empoderamento feminino proporcionado não só pela Caderneta Agroecológica, mas também por toda formação e acompanhamento sistemático proporcionado pelo Projeto Paulo Freire, é possível visualizar um crescimento individual e coletivo na vida de mulheres camponesas, pois se tornam mais independentes e realizadas, possibilitando assim um engajamento social e a qualificação da sua mão de obra direcionadas ao plantio, manejo do solo, recuperação de áreas e produção diversificada, além da reafirmação de que a mulher possui um papel fundamental dentro da sociedade econômica e social, como também comprovar que os seus sonhos podem ser concretos e reais, ou seja, com o devido auxílio a consequência natural é a emancipação delas enquanto sujeitas, protagonistas da própria história.

 A CADERNETA

Você já conhece a Cardeneta Agroecologica, não? Pois se trata de um instrumento de mensuração de valores, desenvolvida pelo Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA), e é fácil de manuseio, podendo ser adotada por qualquer agricultor (a) na sua unidade de produção. Nela, as agricultoras fazem as anotações de seus produtos, o que consomem, doam, trocam e comercializam, mensurando em valores seus produtos e serviços, mostrando o protagonismo feminino na geração de renda da família.  E tem mais, depois de estarem usando a caderneta, elas têm diversificado a produção e superado preconceitos.

Você pode saber mais sobre a Caderneta Agroecológica AQUI.

56 MATRIZES OVINAS FORAM ENTREGUES À COMUNIDADE QUILOMBOLA DE QUITERIANÓPOLIS

Maria Auricleide e dona Antonia Ribeiro

Por Gina Sena, comunicadora popular da Cáritas Diocesana de Crateús

A comunidade quilombola de São Jerônimo, que fica a 26 km do centro de Quiterianópolis, foi a primeira do município atendida pelo lote 03 do Projeto Paulo Freire, a receber matrizes ovinas, ou seja, ovelhas reprodutoras.  Ao todo, foram entregues 56 animais, divididos para as 14 famílias beneficiadas com essa atividade produtiva. A proposta é melhorar a genética do rebanho e consequentemente a produtividade, na perspectiva de garantir segurança e soberania alimentar, além da geração de renda para essas pessoas.

“Estou recebendo hoje as ovelhas do Projeto Paulo Freire, me sinto muito feliz, esse foi um momento muito esperado”, partilhou a beneficiária Maria Oliveira de Macedo. O agente Cáritas, e técnico do projeto, Saymon da Silva Melo, acompanhou o longo processo de aquisição desses animais, desde a seleção criteriosa até a entrega na comunidade. “A dificuldade em selecionar animais dentro dos critérios, a Pandemia, o acesso prejudicado por causa das estradas destruídas pelas enchentes foram desafios grandes, mas conseguimos superá-los e chegar até a comunidade”. Se orgulha Saymon.

Gilberto Coutinho

O assessor produtivo Lucieudo Gonçalves também participou desse processo: “É gratificante conseguir superar as barreiras e entregar esse componente do Projeto que foi tão esperado pelos beneficiários”, pontua. Segundo ele, as famílias que desde o início assumiram o compromisso de participar das rodas de conversa, da construção dos apriscos e implantação das áreas de suporte forrageiro, sempre o fizeram com a expectativa de que um dia receberiam esses animais. “Agora a equipe se sente muito realizada em poder assistir de perto o sorriso e alegria desses agricultores e agricultoras”, conclui.

Editado às 15:36

REDE SOLIDÁRIA DA CÁRITAS FOI FUNDAMENTAL PARA A DISTRIBUIÇÃO DE 1.250 CESTAS BÁSICAS EM TRÊS DIAS

A Cáritas Diocesana de Crateús (CDC) realizou uma mega ação de solidariedade no último fim de semana. Aproveitando a celebração do Dia do Trabalhador e da Trabalhadora, através de uma rede de proteção à vida formada por paróquias, voluntárias/os, sindicatos, associações, prefeituras e a fundamental parceria com a Fundação Banco do Brasil, através da qual foi possível distribuir 1.250 cestas básicas para nove municípios, sendo eles Crateús, Nova Russas, Tamboril, Independência, Ipaporanga, Parambu, Quiterianópolis, Tauá e Novo Oriente. O trabalho desenvolvido há 15 anos em comunidades do campo e da cidade na Diocese de Crateús e para além deste território, porém, foi fundamental para: Identificar as pessoas que se encontram em condição de vulnerabilidade social; distribuir rápida e eficientemente as doações (mesmo com equipe de agentes reduzida); continuar acompanhando essas pessoas beneficiadas; e diagnosticar situações que precisam de urgente intervenção;

Atualmente, a Cáritas desenvolve, entre outros projetos, o “Pescadoras e Pescadores Artesanais Construindo Bem Viver”, em parceria com a CISV e o CPP, com co-financiamento da União Europeia; O projeto Contexto: Gênero, Educação e Emancipação, realizado em parceria com a We World, Esplar, Instituto Maria da Penha, ACACE, EFA Dom Fragoso e Pastoral do Menor Regional Ceará, financiado pela We World e pela União Europeia; o Projeto Tecendo Redes de Solidariedade, realizado em parceria com a Cáritas Regional Ceará, com apoio da Misereor; e Paulo Freire, com apoio do FIDA e da SDA. Ambos estão com atividades de campo suspensas, por conta da pandemia, sendo na maioria as e os beneficiárias/os destes as mesmas pessoas que foram atendidas com cestas básicas, sendo, portanto, essa ação emergencial parte de uma ação processual que visa a construção do Bem Viver, através do protagonismo de cada sujeita e cada sujeito envolvida/o.

“Foi fundamental para a realização dessa atividade a entrega incondicional de pessoas das secretarias de educação, de sindicatos, de associações e de voluntárias e voluntários nossos, num sinal de que nossas ações de fortalecimento de redes de solidariedade estão no caminho certo”, avalia irmã Francisca Erbenia Sousa, coordenadora da Cáritas Diocesana de Crateús. Segundo ela, o apoio do BB Seguros, do Banco BV e do Banco do Brasil, por meio da Fundação Banco do Brasil, é fundamental, e se encaixa perfeitamente com a política de defesa da vida defendida pela Igreja do Brasil e pela Rede Cáritas Brasileira. “Na situação que nos encontramos, essas cestas distribuídas pela Cáritas e pela Fundação Banco do Brasil vão ajudar muito as famílias, no alimento e pão de cada dia.”, agradece Valda Saraiva, do município de Crateús.