Terapias integrativas: novos espaços para cuidado com a vida.  Profissionais Cubanos e Brasileiros terminam o curso de iridologia na Cáritas de Crateús

“Os olhos são a janela da alma e do corpo e vocês agora têm a missão com a cura e com a vida”. Com essas palavras o Presidente da Cáritas Diocesana de Crateús, Padre Géu introduziu a sua benção para o encerramento do curso de Iridologia. Foram 4 módulos, 96 horas de formação sobre o estudo da íris para a compreensão do nosso estado de saúde. Participaram 17 pessoas no total, dos quais 14 médicos cubanos que há anos fazem parte da comunidade da diocese.

Entre os participantes do curso, cabe destacar a história dos profissionais cubanos. Muitos se aproximaram da Cáritas antes de ficarem impossibilitados de participar do programa “Mais Médicos”, devido atrito político provocado com o governo do país caribenho. Por falta de oportunidades e de segurança sobre o futuro em Cuba, desde Novembro 2018, eles e elas estão à procura de melhores condições de vida, ao mesmo tempo que deixaram as comunidades do interior sem atendimento, porque os mesmos médicos que apoiam a postura do governo brasileiro e sempre foram críticos aos médicos cubanos não querem trabalhar nas comunidades mais distantes dos grandes centros.

“A Cáritas nos recebeu com muito amor, com uma acolhida maravilhosa, nunca nos fez sentir diferentes, nos dando oportunidades de formação para que tenhamos uma alternativa de vida aqui”, afirmou a médica Yasminia Queralta Tomasen. A situação desses médicos cubanos chamou muito a atenção da Diocese de Crateús, que nas pessoas do bispo Dom Ailton, do Presidente da Cáritas de Crateús, Padre Géu, e da coordenadora desta, a irmã Erbenia de Sousa estão fazendo todo o possível para que eles e elas tenham vida digna e possam seguir em frente com as próprias pernas.

Oferecer uma formação em terapias alternativas, desconhecidas para a sociedade como a iridologia, significa poder reafirmar a identidade desse povo e ampliar para eles e elas a possibilidade de atuar como terapeutas, opção permitida pela lei brasileira. “No começo para mim foi um desafio, pensei que não ia poder formar médicos estrangeiros nessa disciplina, mas o fato deles terem conhecimento no campo da medicina ajudou a aprender mais rápido e foi muito gratificante. Eles e elas já estão colocando em prática em laboratórios e estão prontos para começar a ser terapeutas” argumentou o professor do curso, Luis Henrique Aspahan Brandão. 

A cerimonia de conclusão do curso, com a entrega dos certificados foi um momento muito comovente acompanhado pela leitura do evangelho em espanhol e em português. Na homilia, Dom Ailton afirmou que quem cuida da saúde, especialmente ao exemplo dos cubanos e as cubanas que sempre atenderam o povo do interior, podem ser comparados ao Bom Samaritano, que tem cuidado com a vida sem distinção alguma.